divagando por aí #9


A REALIDADE ALÉM DAS MUDANÇAS
imagens de autor desconhecido



Farta manhã de sol permeada de tonalidades múltiplas. O som e o silêncio unidos num mesmo zumbido deleitoso. As partes se unindo ao corpo. A força do projeto humano de despertar o cósmico em si. É sim um grande tempo, amados irmãos e camaradas. Uma longa jornada em que os dias se vertem para percebermos o quanto estamos unidos. Processam-se grandes universos nos submundos não-humanos. Enquanto tudo que esperava ser humano, e imaginava ser humano, naturalmente se transforma em outras formas de ser.

Vemos os seres se abrindo ao diálogo, sorrisos sendo correspondidos, bons gestos e intenções por todos os lados. Vemos cada um trabalhando na exata altura de sua limitação e aperfeiçoando a ilimitação que a totalidade oferece. Estamos em boas mãos e bons tempos, como sempre, dignos de ser, de exemplificar em carne e matéria a realidade dos átomos. Momento em que a consciência se expressa numa rede amplificadora de nuances que não voltam mais atrás. Uma esfera de pensamento onde entra em jogo a própria maturidade da natureza enquanto suas mil formas de vida. Enquanto as mil formas em que a vida se expressa em suas mais variadas formas.

Eis um campo vasto, resplandecente de abundância e possibilidades, acessível a todos, sem discriminação. Os mensageiros do vento avisam transparentemente que o vento está chegando. Não há de vir, mas já chegou. O que chegará já está chegando. As coisas vão tomando forma aos poucos, e depois se desfazem. E cada vez isso se expressa com mais naturalidade. São menos complicações, menos lamentações, menos culpas, menos traumas. São menos abalos sísmicos nas estruturas da terra, menos mudanças catastróficas. São organizações mais flexíveis, e acima de tudo mais fluidas.

Vejamos bem a que ponto chegamos. Tudo que já conquistamos. Mesmo assim queremos mais. Não confundamos, pois, o mais com o melhor. Nem o que chamamos de nós, com o que somos. Eis um dilema qualitativo altamente proveitoso decorrente da prática existencial da natureza enquanto experiência máxima de expressão multiforme. O tempo de hoje supera os termos, os temas, os conceitos e as discórdias provocadas pelo desentendimento do dom palavra. Cada um acaba se encontrando mais cedo ou mais tarde com o contraste entre a beleza de se estar em silêncio na companhia de um semelhante e a artificialidade de uma conversa mantida sobre as bases da dessemelhança.

Mas todos são aprenderes, de aprendizes do aprendizado. Uma pirâmide dentro de uma pirâmide. Sem fingirmos que o absurdo não existe, mas simplesmente reconhecendo nossa devida estatura enquanto parte de um todo. É um tempo de elevados aprendizados para tudo que chamamos raça humana. Tempo de descobrimos na prática o que já teorizamos bastante e nos acostumamos a chamar de paz, amor e harmonia. Tempo de ser a sabedoria. Estamos reconhecendo parentescos mais duradouros do que os laços do que convencionamos chamar vida. Estamos reencontrando com a família mais verdadeira do que a que traços de sangue costumam nos mostrar. Afinal vinhemos, estamos e vamos para o mesmo lugar. Somos filhos de um mesmo pai e mãe.

Por mais que se possa dizer que não, olhando mais restritivamente, se enquadrando na relatividade, ou se atendo aos próprios passos e focando nos próprios pés, ou umbigo, não é bem assim. A realidade é maior. Basta um ligeiro olhar o horizonte para ver que sim. Não só vinhemos e vamos, como somos e estamos, no mesmo exato lugar, por mais que na superfície se faça diferente. Por mais que tudo esteja mudando porque sempre esteve. Por mais que não haja mais nada a esperar porque nada vai acontecer. Estamos aqui e agora todos juntos como sempre estivemos. Mas basta alguém olhar para alguém que está olhando o horizonte para esse alguém olhar também. E já serão dois fazendo uma coisa que desperta outra coisa pela mais brilhante natureza dessa coisa se modificar pela assimilação de novos padrões. A natureza de ser uma coisa que vem a ser outra por sua própria natureza transformadora.

E se um pára para olhar o horizonte e ver tudo mudando, na superfície, sem se deixar levar pela aparência, compreendendo noite e dia, e talvez descobrindo a fragilidade do mundo da impermanência, onde as coisas se fazem e desfazem, o outro talvez pare apenas para olhar aquele que está olhando e constatar a mudança na mudança do outro. São todas partes da compreensão da mudança. Que é inerente a toda forma de ser. Porque as formas são superficiais. No mundo de superfície as coisas precisam se transformar para acompanhar a mudança. Mas a mudança acontece apenas no terreno rasteiro de nossa compreensão. É lá onde o pensamento não alcança que existe uma realidade que podemos chamar de absoluto, eterno e infinito.

Basta um silêncio para notar a respiração respirando por si só. O que é aquilo que costumávamos chamar de eu enquanto éramos inconscientes da respiração? Houve um tempo em que respirávamos muito bem, mas não sabíamos pensar como sabemos hoje. Nesse tempo estávamos inteiramente presentes no corpo e a mente ainda estava se formando. Depois que a mente se formou e nos tornamos o que somos hoje, a consciência da respiração foi se perdendo, o ritmo se descompassando, o fluxo se desestabilizando, e gerando certa desarmonia, mas que deu pra ir levando.

Vejamos os frutos da desarmonia por todos os lados, os efeitos do desligamento dos padrões naturais por todas as partes, mas vejamos isso também dentro da lei da respiração, com calma e tranquilidade, com justiça e clareza na observação. No tempo da natureza as coisas acontecem de uma forma diferente da realidade em que estávamos tão identificados. Para chegar a alcançar o tempo do não-tempo, primeiro vamos nos deslocar do tempo humano para o tempo da natureza. E podemos fazer isso em casa ou no trabalho, no campo ou na cidade, desde que ambos sejam o mesmo lugar. Não pode haver diferenças para esse intercâmbio se realizar.

Mas tudo acontece gradualmente e naturalmente, e o que de fato está acontecendo é que cada vez vemos mais gente contemplando o horizonte como simples expressão do que somos. Antes atribuíam ao horizonte toda uma série de motivos e banalidades, mas hoje (e não estamos falando deste ano, mas de uma era muito longa) já podemos enxergá-lo como limite de nós mesmos. Já podemos vê-lo como nosso deslimite. E essa vitória está sendo contemplada por nós todos, não é uma particularidade de uma espécie que se possa denominar. Não é homem nem macaco, não é ave nem avião, não é avô nem árvore. Uma vitória coletiva, intergrupal, associativa, somatória, total. O fruto que vemos nascer ali na árvore não tem dono. Se tivesse dono, nem nascer ele poderia.


seja como for #2


Que seja então a mesma modificação incessante. O volume alto do alto-falante me perturba e agrada. Hoje faremos um novo começo juntos. É claro que esses assuntos precisam de um pouco mais de tempo disponível. Não é incrível a forma que as coisas acontecem? Tenta outra vez, até dar certo. Se for erro, desiste. Insiste no que convém. Não tem como se sair mal. O ponto inicial não ficou bem definido. Tudo é permitido em termos de expressão. O final é a introdução de outra música. O ato de ouvir está em eterna expansão. Audição é um outro nome para fase de crescimento. A frase do dia dizia para escutar o silêncio.


conta outra #15


A VIDA MOSTRA
imagem de tim hawkinson



Estava eu na padaria, observando o bonito movimento de cada um a procura de seu devido lugar no espaço, enquanto aguardava o pão que havia pedido. A moça me trouxe o pão e perguntou se eu queria algo mais. Disse que 200, ou melhor, 250g de queijo bastavam. Ao qual ela respondeu com um aceno positivo de cabeça e foi buscar o queijo para fatiar.

Então pensei em falar para ela cortas fatias finas, para o queijo render mais. Então pensei que a gente tem uma certa dificuldade pra lidar com as pessoas dizendo como devemos fazer as coisas. E deixei pra lá, pra evitar que ela se sentisse mandada, ordenada, regrada, ou até mesmo orientada. Então ela olhou pra mim e disse: “A fatia com esta finura está bem para o senhor?”

Respondi que sim e fiquei ligeiramente impressionado com a rápida resolução que se deu pra situação, sem necessidade de qualquer verbalização. A simples cogitação do ideal bastou, e assim se fez como devia se fazer. Mas depois de observar estes fatos rapidamente, ocorreu que ela poderia fatiar mais que o necessário, por talvez não ter compreendido com exatidão o que eu falei. Dessa vez não pensei duas vezes e disse pra ela: “São 250, viu?”

Ela olhou pra mim, desligou a máquina, voltou a olhar e disse: “Tinha entendido 350.” Eu sorri, e fiquei feliz de não ter falado antes e ter falado agora. Ela, já com o queijo na balança, olhou pra mim sorridente e disse: “Olha! Certinho. 250g!” O que foi mais forte do que a experiência anterior, quando as fatias se afinaram via elos telepáticos. Dessa vez, foi o número exato do pedido e do realizado, simbolizando a justiça e o perfeito equilíbrio entre o aqui e o agora.

Não é que a moça acostumada a fatiar queijo sabia estar chegando ao peso pedido, nem que eu acostumado a pedir queijo soubesse que ela já tinha fatiado o suficiente. Apenas a conjuntura, motivada pela fluido das interações espontâneas, imerso na imensidão comunicativa da presença, bastou para que os fatos sucedessem. Mas não de qualquer forma, e sim na plenitude mais plena em que eles poderiam ocorrer.

Talvez porque estivéssemos ali sem querer nada um do outro. Talvez porque um e outro não eram tão significantes nesse caso. Talvez porque tanto ela quanto eu não tivéssemos tempo a perder. Ela, por estar temporariamente ocupada com o atendimento dos clientes. Eu, por simplesmente não ter tempo, tal qual a eternidade.

Como é que se perde alguma coisa que não se tem?


tolice #38


MULTIVERSO

parte da vida é já
outra parte é ainda
dia e noite nós somos
filhos de cromossomos

completo é cada existir
inclusive o não-existido
umbigo antes de nascer
ambíguo quando crescer

pedaço do ser é mente
pedaço da gente é sentir
mudar é nosso universo
linha de mais um verso

inteiros aqui e agora
fragmentos desde sempre
passageiros somos nós
unidos mas também sós


assim como se nada #11


REFLETINDO A LUZ DA PERFEIÇÃO
imagem de autor desconhecido



Querida irmã, querida. Hoje a vida pede um amar mais constante, um amor mutante e vibrante. Hoje o dia que se acorda em meio aos raios de um novo hoje, eterno, pede um amor tal qual seus tons e cores. Um amor mais vívido e nítido. Nesta manhã reforçada pelo sol, pela clareza que traz a fonte de todos os sóis, a vida pede um amor desperto, atento, mas também jovem, inocente e ingênuo.

Vida que abraça, banha, veste e põe pra dançar. Vida que amanhece. Hoje a vida pede um amar livre, leve, descontraído, mas também compenetrado, firme e autosustentável. Salve, salve a vida que pede um amor transcendental. Um amor de pura harmonia. Conectado na sincronia, refletindo a sintonia, irradiando a energia de um movimentar sinérgico.

Hoje a vida pede um amor sem barreiras, fronteiras, divisórias, isolamentos. Um amor sem documentos, registros, históricos, patentes. Hoje a vida, resplandecente e abundante, pede um amor cintilante como o centro amarelo das flores. Mas pede no mais singelo gesto de existir, e não como um pedido. A vida em amor é o pedido. Amar a vida é a realização.

Vida, irmã querida, amada vida, irmã mulher. Hoje a vida pede menos obrigações, preocupações, problemas e conflitos. Hoje a vida pede paz. Em amor, sem pedir, na simplicidade de ser. Vida que pede apenas o que tem. Vida que não pede nada em troca. Vida que dá e sempre sobra.

Um amor sem proporções, lógica, paixão, nexo. Um amor desconexo dos padrões estabelecidos. Hoje a vida pede um amor refletindo a luz da perfeição. Um amor ressoante, consonante com o propósito de existir. Um amor capaz de ouvir, de falar, de sentir, pensar e intuir. Mas sobretudo pede um amor maior, capaz de ir além da razão, atravessar a intuição e seguir em frente.

Hoje a vida pede um amor diferente, pronto para aceitar as mudanças. Um amor na confiança, na entrega, na fraternidade e no mútuo reconhecimento. Um amor pelo agora, pelo aqui, pelo possível, pelo existente. Um amor impossível, inexistente. Hoje a vida pede um amor pelas plantas, pelos animais, pelas pedras, pelos rios e mares. Um amor pelo céu.

Irmã, querida irmã. Hoje a vida pede, mas também dá, porque assim como no dar está o pedir, o pedir está no dar. Hoje a vida pede um amar esplêndido, extravagante, sobrenatural, que ultrapasse qualquer ideal ou limite da idéia de amor. Hoje a vida pede um amor pelo ir e vir, pelo respirar. Um amor pelo amar. Um amor pelo justo, equânime e universal. Hoje a vida pede, hoje a vida dá. Amor.



primavera uma vez #18


FECHE OS OLHOS E VEJA

escrevendo sobre o nada
sem saber por onde ir
páro e encontro em mim
o nada está entre nós

o agora tem tudo a ver
se eu defino o nada
talvez não reste nada
em condições de definir

inclusive esta passagem
que existe aparentemente
mas não diz nada com nada
o que pode explicar tudo


palivre #1






tolice #37


FLOR E SER

Antes da flor
ser de fato flor
é calor, corpo, cor.
Veja a flor
sendo amor no deserto,
está certo ela ser mais.
Cada única flor
é uma forma de compor:
dona, beija, couve, flor.
Ser uma flor
vai além de dor ou sabor:
uma existência sem podas.
Jamais será flor
o que apenas for menos.
Porque ser é florescer.


divagando por aí #8


HOSPITAL AO CONTRÁRIO
imagens de autor desconhecido



Um simples aprofundar no corpo e na mente coloca a pessoa distante desse mundo de problemas. O aprofundar no corpo aperfeiçoa a mente e o aprofundar na mente apresenta o espírito. Conhecer o que anima o espaço sagrado entre você e o ar que respira, entre o silêncio e o som. Silenciar a mente, mentalizar o ar, respirar o espaço e aperfeiçoar.

Todo homem devem aprender a conhecer e lidar com a própria loucura. Talvez negar a loucura esteja mais pra doença do que pra cura. Porque o caótico é evidente e se manifesta em desordem no mundo. O mundo tem sua ordem desordenada. A loucura é estar mais na desordem do que na ordem, e vice-versa. E a harmonia do mundo, onde está?

Quer prova maior de insanidade do que se considerar incapaz de desenvolver os próprios processos de cura? Mas assim como a loucura, a cura também tem seus significados deturpados pelos mal-usos do termo. Quando vamos popularizar um hospital ao contrário? Um lugar onde a pessoa vai enquanto ainda está saudável, para rir, conversar, chorar ou simplesmente observar, e também aprender como manter a saúde e realizar a auto-cura. Posso participar ativamente colaborando nos círculos de multiálogos sobre temas como “Existe vida antes da morte”.

Talvez “Remédio só em último caso” também seja uma conversa interessante. Como divulgação de uma cultura preventiva, direcionada para o cuidado do corpo e da mente, o exercício físico, o silêncio mental, a observação, a atenção, a concentração e o autoconhecimento. Exige um certo envolvimento com si mesmo, e um pouco de boa vontade. Mas basta olhar como olhamos o mundo para percebermos a necessidade de se fazer isso.

Por que no lugar dos postos de saúde pública não criamos postos de saúde universal, onde as pessoas sejam tratadas globalmente, transdiciplinarmente, corpo, mente e alma? ”Qual é o espírito da coisa?”, “Para onde aponta o horizonte”, “É assim que as coisas são”, “Se tem que acontecer, acontece”, e outras conversas.

Parando alguns minutos para observar o corpo já é possível observar a mente. Observando a mente vemos a forma das formas do corpo, e as formulações que dão forma a própria mente. Aprofundando a observação, e observando o observador da mente, vemos que a mente é observada pelo ser.

A mente é um reflexo da observação que o ser faz de si mesmo. O ser observa a mente, assim como observa a si mesmo. Sabendo que o observador e o observado são uma só e única coisa. Um ser autoconsciente é um ser com capacidade de se autoobservar. Quando a observação pára alguns minutos, a mente silencia, o corpo descansa e vemos com mais clareza o entrelaçamento entre a mente e o corpo.

“Mas o que dá origem e sustenta o corpo, a mente e a observação?” O corpo não se sustenta por si só, ele é sustentado pela vida que circula por ele em forma de alimento, luz, água, ar e movimento. A mente sustenta a observação, mas a observação não é sustentada pela mente, assim como a mente também não se sustenta por si mesma. A mente é um atributo de que nada vale se não houver um ser capaz de utilizar.

“Então quem utiliza a mente: o corpo?” Ambos se utilizam. Digamos que a mente se desenvolve no corpo como a inteligência da vida. Então a mente utiliza o corpo em benefício de si mesma, de sua própria inteligência, seguindo as instruções do próprio corpo, que é o seu criador. O corpo cria a mente que recria o corpo.

“Mas se o corpo cria a mente, quem cria o corpo?” O corpo cria a mente com perfeição. A mente recria perfeitamente o corpo, reproduz identicamente a natureza, mas não cria nada de original. A mente não é criativa. O corpo é criativo, mas tem suas limitações. O corpo cria somente através do seu corpo e de sua mente, portanto é criação limitada.

“Quem cria o corpo?”, nós perguntamos. Digamos que o corpo é recriado pelo próprio corpo, mas quem faz o corpo recriar é o que chamamos de alma. Digamos que alma é um bom nome para a energia de vida que anima nossos corpos enquanto nossos corpos são recipientes úteis para vida fazer uso.

A alma é o começo daquilo que chamamos de ser, uma conexão criada entre a origem da vida e o corpo. Digamos que ela é criativa, porque ordena bem os acontecimentos e fatos, mas que também não é a grande criadora. A alma obviamente está a serviço de algo maior.

“Quem cria a alma e a quem ela obedece? A vida cria a alma como forma de animar o corpo eternamente. A alma é a presença de vida no corpo, assim representa e obedece a sua fonte, a própria vida. Se há alguma consciência, ela começa a ser encontrada na alma. Conforme a alma é assumida e reconhecida pelo corpo, como manifestação da vida, começa a se manifestar a consciência. A consciência que une o observador ao observado, que faz do ser a própria observação. Conforme a alma se aprofunda na vida, a consciência se expande no corpo.

A vida em si é autoconsciente, e inspira e expira almas espontânea e propositalmente, no mais simples e singelo gesto divino de respirar. A vida é criação divina, filha do grande criador, mãe da grande criatura. A vida é a grande respiração. Quem respira é o absoluto indescritível inominável. Nós estamos sendo respirados por aquilo que nós mesmos somos, pois somos aquilo que nos faz respirar. O milagre é como um fôlego, um suspiro ou um sopro.


falando nisso #7


tudo que sei
sobre os piscianos
é que nada sei
do que eles são
sentem e pensam

e que talvez
seja melhor assim


 
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